Avenida 23 de Maio terá faixa azul preferencial para motociclistas

Delimitação pontilhada no asfalto terá 5,5 quilômetros de extensão e vai sinalizar onde as motos devem circular; objetivo é impedir ultrapassagens, velocidade acima do permitido e batidas laterais


A avenida 23 de Maio, uma das mais movimentadas de São Paulo, vai ganhar até o fim deste mês a primeira instalação da Faixa Azul, via preferencial para motociclistas. Desenvolvido pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o projeto piloto terá uma extensão inicial de 5,5 quilômetros e pretende reduzir em 30% os acidentes de trânsito envolvendo motocicletas.


Essa não é a primeira vez que o município tenta algo parecido. A diferença do novo modelo para aqueles implementados anteriormente nas avenidas Sumaré, em 2006, e Vergueiro, em 2010, é que este "não muda o comportamento dos motoristas", explica Luiz Fernando Devico, diretor de operações da CET. Assim, a faixa preferencial para as motos será no segundo corredor da avenida 23 de Maio, reconhecido pelos engenheiros de tráfego como o mais utilizado pelos veículos de duas rodas.


Na prática, o diferencial é que a Faixa Azul implementa uma delimitação pontilhada no asfalto e sinaliza onde as motos devem circular, o que em tese impediria ultrapassagens, velocidade acima do permitido e ocasionais batidas laterais. O projeto também mantém os quatro corredores originais e uma via exclusiva para ônibus, que será reduzida em dois metros. Entretanto, como esse será um "espaço compartilhado", a redução nos acidentes volta a depender da prudência e consciência de cada motorista.


"A dinâmica da troca de faixas vai continuar, só que mais organizada. Se o motociclista preferir ir atrás dos carros, ele pode", explica Devico. "Essa vai ser uma responsabilidade compartilhada, que também depende do comportamento de cada um."


O projeto teve um custo inicial de R$ 500 mil, valor que a CET afirma ser recompensado com a prevenção de apenas uma morte ou oito feridos no trânsito. Ao todo, os sinistros envolvendo motocicletas na capital paulista custaram cerca de R$ 2,1 bilhões aos cofres públicos entre 2018 e 2020.


"Essa é uma demanda antiga da categoria. Estamos felizes que ela finalmente foi atendida", comemorou Gerson Silva Cunha, do SindimotoSP. "Isso vai trazer mais segurança para os motociclistas, que agora não vão precisar desviar dos veículos", complementa Edgar Francisco, diretor da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMABR).


Segundo dados da própria CET, a primeira tentativa de motofaixa na avenida Sumaré, durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD), os acidentes envolvendo veículos e motocicletas passaram de 11 para 27 (aumento de 145%) e os atropelamentos com motos passaram de 12 para 16 (+33,33%). As fatalidades permaneceram no mesmo patamar, com duas mortes antes e depois da implementação.


Durante a apresentação do novo projeto, Devico afirmou que os modelos anteriores serviram de "aprendizado" e que o objetivo é proteger a vida dos motociclistas, que classificou como "extremamente vulnerável" no trânsito e a principal vítima dos acidentes. A projeção da CET aponta que, no compilado do ano passado, morreu mais de um motorista de moto por dia em São Paulo, com 394 no balanço inicial ainda a ser divulgado.


O modelo inicial da Faixa Azul foi desenvolvido especialmente para a realidade do tráfego de São Paulo e vai da Praça da Bandeira ao Complexo Viário João Jorge Saad (Cebolinha), sentido Santana/Aeroporto. Caso dê certo, ele deve se expandir por outras vias do município, como a marginais Tietê e Pinheiros. A previsão é que a faixa fique pronta no próximo dia 24, se a chuva na capital paulista der uma trégua e não atrapalhar os trabalhos de pintura e sinalização do trecho.


Fonte: Estadão Online | São Paulo | João Ker, O Estado de S.Paulo


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